Durante dois dias, deixamos o GPS quase em segundo plano e simplesmente seguimos a estrada, explorando algumas das cidades mais icônicas da Route 66. Passamos por lugares como Winslow, eternizada pela cultura americana, a clássica Seligman, considerada por muitos o verdadeiro coração da Rota 66, a histórica Kingman, cheia de referências ao passado da estrada, e também Williams, uma cidade vibrante que mantém viva a essência retrô da Mother Road.
Cada parada tinha sua própria personalidade: postos de gasolina transformados em atrações, diners que parecem não ter mudado desde os anos 50, lojas cheias de memorabilia e moradores que claramente têm orgulho de preservar a história da estrada mais famosa dos Estados Unidos. Mais do que dirigir, foi uma experiência de viagem lenta — daquelas em que o caminho importa tanto quanto o destino.
Foi justamente essa imersão que fez a escolha por Flagstaff se mostrar ainda mais acertada. A cidade não só oferece ótima estrutura e uma atmosfera jovem e acolhedora, como também funciona como base perfeita para explorar tanto a Route 66 quanto algumas das maiores maravilhas naturais do Arizona.
21/12/25 – Holbrook e Winslow
Saímos cedo de Flagstaff naquele típico clima de “hoje vai render”. Estrada bonita, céu aberto e aquela sensação boa de road trip de verdade. Nossa primeira parada foi Holbrook. E se você nunca ouviu falar da cidade, imagine o seguinte cenário: uma rua tranquila… e, do nada, dinossauros gigantes espalhados pelo caminho. Sim, dinossauros. Claro que paramos para fotos. Porque se a Route 66 te oferece um T-Rex você não ignora.


Holbrook fica próxima ao Petrified Forest National Park, então a cidade abraçou com força essa temática pré-histórica. Mas o grande símbolo local é o famoso Wigwam Motel. Construído nos anos 1950, ele mantém até hoje seu conceito original: quartos em formato de ocas indígenas. Cada “oca” é uma acomodação individual, e o estacionamento é decorado com carros antigos que parecem ter saído diretamente da década de 50.






É impossível não imaginar famílias cruzando os Estados Unidos na época de ouro da Route 66, estacionando seus carros cromados ali para passar a noite. Não ficamos hospedados, mas só a visita já valeu muito a parada.
Seguimos então para Winslow, que nos pareceu um pouco mais estruturada e agradável para caminhar. A cidade tem aquele jeitão simpático de quem sabe que vive do turismo e faz isso com carinho. Encontramos um boneco de neve fake (claramente o inverno estava com orçamento reduzido), uma guitarra gigante em uma lojinha de souvenirs — não no nível Hard Rock de exagero, mas suficientemente grande para render fotos — e várias pinturas enormes do símbolo da Route 66 no chão das ruas.




O almoço foi em grande estilo no RelicRoad Brewing Co., um restaurante temático que parece um pequeno museu da Route 66. Miniaturas de carros antigos, placas retrô, objetos vintage… tudo cuidadosamente espalhado pelo ambiente. Pedimos um burger generoso (daqueles que exigem estratégia para dar a primeira mordida) e pagamos U$$ 60,61 para nós três. Considerando o tamanho do lanche e o ambiente, foi um excelente custo-benefício.






Voltamos para Flagstaff felizes, bem alimentados e oficialmente imersos no espírito da rota.
22/12/25 – Grand Canyon
No dia seguinte o roteiro foi diferente, mas igualmente memorável: bate e volta até o Grand Canyon.
É difícil colocar em palavras a dimensão do que se vê ali. É o tipo de lugar que faz qualquer foto parecer pequena demais para representar a realidade. Mas essa experiência merece um relato exclusivo, então vale conferir o artigo completo dedicado a essa visita inesquecível: Grand Canyon: nossa experiência saindo de Flagstaff rumo a uma das maiores maravilhas naturais do mundo.
23/12/25 – Williams, Seligman e Kingman rumo a Vegas
No dia 23/12/25 deixamos Flagstaff rumo a Las Vegas. A ideia inicial era passar por Amboy para conhecer o icônico Roy’s Café, mas isso deixaria a viagem longa demais — e Vegas estava nos esperando. Optamos por encurtar o trajeto, mas ainda assim passamos por cidades essenciais da Route 66: Williams, Seligman e Kingman.
Chegamos cedo em Williams. A cidade ainda despertava devagar, com aquele clima tranquilo de interior americano. Mas eu tinha uma missão: apresentar ao Bruno e à Ágata uma lojinha de souvenirs que conheci em 2018. E ela continua maravilhosa. Daquelas lojas que vendem absolutamente tudo o que você pode imaginar relacionado à Route 66 — camisetas, placas metálicas, miniaturas, chaveiros, objetos decorativos e mais uma infinidade de “eu não preciso disso, mas eu quero”.


Resultado: boas compras e ótimas fotos!
Passeamos pelas ruas, tiramos foto em uma linda árvore de Natal e depois fomos ao Brewed Awakenings Café Williams. Pagamos U$$ 18,94 por um café excelente para nós. Pequeno investimento, grande retorno em energia para continuar a jornada.





Seguimos então para Seligman. E aqui a experiência é quase teatral. Não vimos tantos “pontos turísticos” organizados, mas encontramos algo melhor: um verdadeiro cenário vintage a céu aberto. Carros antigos, caminhões clássicos, placas enferrujadas, fachadas coloridas e cheias de história. Tudo parece propositalmente preservado para manter viva a essência da Route 66. É uma parada rápida, mas com personalidade forte.









Depois chegamos a Kingman, considerada o coração da Route 66. Cidade estratégica, histórica e parada obrigatória antes de enfrentar o deserto rumo a Nevada. Desta vez não visitei a loja da Harley como fiz em 2018, mas percebemos que a cidade ganhou novos pontos para fotos. Passamos pelo Kingman Visitor Center, que abriga um museu (que acabamos não visitando) e uma loja de souvenirs — desta vez ficamos só nas fotos, porque os preços estavam um pouco salgados demais para nosso momento econômico de viajantes conscientes.














Na praça central, tiramos a tradicional foto com a locomotiva estilo maria-fumaça que já faz parte da paisagem local. Depois rodamos pelo centro registrando cada detalhe para nosso álbum de viagem.




O almoço foi no icônico Mr. D’z Route 66 Diner. Um clássico absoluto. Decoração retrô, neon, balcão ao estilo anos 50, clima de filme americano. O cardápio é exatamente o que se espera: burgers generosos, batatas fritas, milkshakes e pratos que não conhecem a palavra “moderação”. Pagamos U$$ 45,79 e saímos oficialmente abastecidos.







Com o estômago satisfeito e o coração animado, pegamos a estrada rumo a Las Vegas cheios de expectativa.
Viajar pela Route 66 não é sobre luxo, nem sobre pressa. É sobre atmosfera. É sobre estacionar para fotografar um dinossauro gigante sem questionar. É sobre entrar em uma loja que vende tudo e sair convencido de que precisava de metade daquilo. É sobre diners clássicos, placas retrô, carros antigos e aquela deliciosa sensação de estar vivendo um pedaço da história americana.
E quando você percebe, a estrada deixa de ser apenas um caminho — ela vira parte da experiência.












