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Milão entre chegadas e partidas: turismo, comidas e surpresas

Nossa primeira parada em solo italiano foi nada menos que a Milano Centrale, a estação de trem principal da cidade. Saímos direto do aeroporto e demos de cara com esse verdadeiro palácio sobre trilhos. A estação é tão grandiosa que parece mais uma catedral do transporte: colunas enormes, arquitetura imponente, teto altíssimo — dá até a impressão de que você vai embarcar para outra dimensão, e não apenas para Lucerna, na Suíça.

Aliás, foi exatamente isso que fizemos: pegamos o trem para Lucerna e demos início ao nosso roteiro. Já começamos entendendo que Milão seria um daqueles lugares que funcionariam como “hub de viagem”, sempre nos recebendo, nos despedindo e, quando sobrava um tempinho, nos presenteando com seus pontos turísticos.

Milão acabou sendo nosso ponto de chegada, de partida e de transbordo: avião, trem, ônibus… tudo passava por aqui. Mas, claro, não podíamos reduzir uma das cidades mais turísticas e importantes da Itália apenas a uma escala logística. Mesmo com apenas dois dias e meio no total, entre idas e vindas, conseguimos conhecer bastante coisa.

Hospedagem em Milão: altos e baixos

Na nossa primeira passagem por Milão, vindo de Lucerna, nos hospedamos no Ibis Milano Centrale, que fez jus ao nome: super bem localizado e perto de tudo. Dava pra se locomover facilmente, e estar próximo da Milano Centrale facilitou bastante nossas conexões de trem.

Já na segunda passagem por Milão, segundo o próprio Ibis, receberíamos um upgrade para um hotel 4 estrelas da rede. “Upgrade”, pensávamos nós, era sinônimo de sorte grande… mas acabou sendo um presente de grego. Fomos tirados do Ibis Milano Centrale e colocados no Ibis Ca’ Granda. O hotel estava em reforma, a região era longe do centro e, embora movimentada, nos sentimos um pouco inseguros — afinal, era o primeiro dia do ano (01/01) e a cidade estava praticamente parada.

Para saber mais, fizemos um artigo detalhado sobre nossa experiência de hospedagem em Milão, que você pode conferir neste link.

Por sorte, havia uma estação de metrô próxima, e logo descobrimos que se locomover em Milão não seria nenhum problema. O metrô da cidade é extremamente eficiente e capilar: leva você a todos os principais pontos turísticos, e invariavelmente tudo desemboca na Praça do Duomo, o coração da cidade.

Onde comemos: porque viagem sem comida boa não é viagem

Logo que chegamos a Milão, antes de partirmos para Lucerna, almoçamos em um dos restaurantes da estação Milano Centrale. A estação tem uma ampla praça de alimentação na parte inferior, cheia de opções: lanchonetes, cafés, fast-food mais decente, pizzarias simples etc. Aproveitamos também para tomar um belo chopp — nada chique, mas refrescante e bem merecido depois do voo.

Durante nossa visita à Galeria Vittorio Emanuele II, sentamos em um restaurante com vista para a Praça do Duomo / Catedral, para tomar um Aperol e comer algum petisco. Foi caríssimo — pagamos mais pela vista do que pela quantidade, mas valeu pela experiência e pela paisagem.

Depois disso, Agata sugeriu jantarmos no Osteria da Fortunata, restaurante famoso por servir massas artesanais feitas na hora, onde é possível ver as cozinheiras trabalhando na produção. Não conseguimos reserva, e quando chegamos lá tinha fila tão grande que desistimos. Mas não foi tempo perdido: estávamos na região de Brera, um bairro charmoso e cheio de bons restaurantes. Por ali nos fartamos de massas, bons vinhos e sobremesas. Um dos destaques foi um cheesecake de morango delicioso.

Milão é também paraíso das compras, e não resistimos a visitar diversas lojas de cosméticos, entre elas a Sephora, que é quase parada obrigatória. Mas o ponto alto foi quando entrei na Lego Store e simplesmente comprei talvez a maior caixa que havia lá. Gastei 200 euros sem pestanejar, me senti uma criança e recuperei a infância em uma só compra.

A ficha só caiu quando, logo depois, fomos comer um lanche no Hard Rock e percebi: gastei um pequeno tesouro em blocos de montar! Mas valeu cada euro pela sensação. E claro, não podíamos deixar de marcar presença no Hard Rock Café Milano. Localizado próximo ao Duomo, combina o estilo clássico da rede — guitarras, roupas de artistas e aquele clima de rock — com pratos generosos e clima animado. Foi uma pausa divertida, com música boa, hambúrgueres no padrão Hard Rock e, claro, aquela sensação de estar num ponto turístico mundial que sempre mantém sua identidade.

O que vimos em Milão: Catedral de Milão (Duomo di Milano)

É impossível chegar a Milão e não ficar de queixo caído com o Duomo. A fachada gótica, cheia de pontas, santos e detalhes mil, hipnotiza na hora. Desta vez a gente não entrou nem subiu ao terraço — foi tudo no modo correria. Mesmo assim, fica nosso pitaco de amigo: se você tiver mais tempo, vale muito visitar o interior e encarar o terraço. Quem foi diz que os vitrais deixam a luz incrível e que a vista lá de cima é daquelas de guardar. A gente deixa pra próxima!

Castelo Sforzesco

Se o Duomo é o cartão-postal de Milão, o Castelo Sforzesco é tipo o primo robusto. Construído no século XV, já foi fortaleza, residência de duques e hoje abriga museus. Você entra e se sente em um cenário de filme medieval, só que sem dragões (infelizmente). Além da imponência das muralhas, dentro você encontra obras de Michelangelo, tapeçarias, esculturas e muito mais. O melhor é que o castelo se conecta diretamente ao Parco Sempione, o que deixa o passeio ainda mais agradável.

Parco Sempione

E falando em agradável… esse é o pulmão verde de Milão. Um parque enorme e arborizado, ótimo para dar aquela pausa depois de horas de turismo urbano. Caminhar por lá é quase terapêutico: patos nos lagos, famílias passeando, corredores tentando bater o recorde de 5 km.

E no fundo, você ainda encontra o Arco della Pace, um arco triunfal que parece ter sido colocado ali só pra fechar o passeio com estilo.

Santa Maria delle Grazie

Igreja de tijolos vermelhos, arquitetura renascentista e um detalhe: guarda uma das pinturas mais famosas da história, A Última Ceia de Leonardo da Vinci. Só que visitar esse mural exige planejamento militar, porque os ingressos acabam rápido e as entradas são supercontroladas. Mesmo que não consiga ver a obra de perto, a igreja em si já vale a visita. Mas se conseguir… pode se gabar pelo resto da vida.

Galeria Vittorio Emanuele II

É praticamente o shopping center mais elegante do mundo. Construída no século XIX, tem cúpulas de vidro, pisos de mosaico e lojas que vão de Prada a Louis Vuitton. Passear por ali é como entrar em uma passarela gigante: mesmo sem comprar nada (porque o cartão chora só de olhar as vitrines), vale muito pelo visual.

E não esqueça a tradição: no mosaico do chão há a figura de um touro, e dizem que trazer sorte depende de pisar com o calcanhar bem no “bago” do bichinho e girar três vezes. Superstição ou não, o fato é que a prática virou atração turística. Tanta gente faz isso que já há até um buraco no mosaico de tanto ser desgastado!

Retorno via Bergamo

Depois da etapa suíça, da Toscana e até de Bucareste, voltamos à região de Milão no dia 01/01/2025. Dessa vez, nosso voo pousou no aeroporto de Bergamo-Orio al Serio, que fica a cerca de 50 a 60 km de Milão. De lá, pegamos um ônibus regular direto para a Estação Central de Milão. O trajeto leva em torno de 50 minutos e custa por volta de €10 por pessoa — prático e econômico, considerando as malas e o frio do inverno.

Naquele dia, revisitar o Duomo e a Galeria Vittorio Emanuele II foi quase inevitável. A praça estava movimentada, o clima de Ano Novo ainda no ar, e andar por ali é um passeio em si: cafés, luzes, vitrines, turistas de todas as partes do mundo.

E foi também nessa estadia que aproveitamos para visitar um dos templos mais famosos do futebol: o Estádio San Siro. Oficialmente chamado de Stadio Giuseppe Meazza, é a casa de dois gigantes — Milan e Inter de Milão. O estádio é imenso, com capacidade para mais de 75 mil pessoas, e impressiona tanto pela sua arquitetura circular, com torres externas, quanto pelo peso histórico: finais de Champions, Copas do Mundo, clássicos inesquecíveis. Para quem gosta de futebol, é uma experiência emocionante; para quem não gosta, é pelo menos um belo exemplo de como os italianos levam o esporte a sério.

Conclusão

Milão acabou sendo muito mais do que um simples ponto de chegada e partida. Entre conexões de trem, idas e vindas de ônibus e até uma passagem por Bergamo, conseguimos encaixar catedrais, castelos, parques, compras, comida boa (e nem tão boa assim), um estádio lendário e até uma extravagância infantil na Lego Store.

Foi pouco tempo — apenas dois dias e meio somados — mas suficientes para provar que Milão não é só uma cidade de moda e negócios: é também um destino que sabe surpreender. Seja pelo gótico do Duomo, pelo glamour da Galleria Vittorio Emanuele, pelo verde do Parco Sempione ou pelo rock do Hard Rock Café, a cidade mostrou que tem de tudo um pouco.

E, no fim, ficou aquela sensação de que Milão foi ao mesmo tempo nossa porta de entrada, de saída e de boas memórias.

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