Se Ushuaia é o “Fim do Mundo”, El Calafate é o começo do encantamento. Localizada às margens do Lago Argentino, no coração da Patagônia Austral, essa cidade charmosa é a base perfeita para explorar alguns dos cenários mais impressionantes da Argentina — incluindo o Glaciar Perito Moreno e o vilarejo de El Chaltén, o paraíso dos trekkers.
Mas calma: antes de chegar ao gelo e às trilhas, El Calafate por si só já merece uns dias de atenção. E nós tivemos exatamente isso: 4 dias mágicos, entre 23 e 26 de abril de 2025, com aventuras, corridas, cerveja artesanal e até um leve prejuízo no cassino.
Dia 1 (23/04/25) – Chegando a El Calafate e se apaixonando logo de cara
Depois de um voo rápido partindo de Ushuaia, chegamos a El Calafate no dia 23/04.
A cidade é pequena, mas tem um charme que conquista logo na primeira caminhada. Sua avenida principal, a Avenida Libertador General San Martín, é o coração do centro — repleta de lojas de souvenirs, chocolaterias, cafeterias e restaurantes. A cada esquina, uma vitrine com produtos de lã, artigos de montanha e lembranças do “Glaciar Perito Moreno”.






Nosso primeiro passeio foi até o letreiro clássico de “El Calafate”, com o Lago Argentino ao fundo — um cartão-postal obrigatório.





De lá, seguimos para a Iglesia Santa Teresita del Niño Jesús, uma das construções mais simbólicas da cidade. Pequena, de fachada clara e interior simples, ela transmite uma serenidade típica do interior patagônico.





Caminhamos também por toda a rua principal, explorando lojinhas e vitrines coloridas, e aproveitamos para reservar o carro que seria utilizado no dia seguinte. Apesar da hospedagem ficar um pouco afastada do centro, caminhar por El Calafate é um prazer à parte. A cidade é segura, tranquila e plana — perfeita para explorar a pé (não há Uber por lá, e táxi é raro, então as pernas foram nosso melhor transporte).
Como bom corredor, aproveitei a tarde para uma corrida leve de 8 km com vista para o Lago Argentino e o vento patagônico soprando forte — uma verdadeira corrida espiritual.
Noite na cidade: cerveja, frio e risadas e nada melhor que encerrar o primeiro dia com uma visita à Cervejaria Patagonia, um clássico local. A decoração rústica, o cheiro de malte e a vista para o lago formam o cenário perfeito para brindar a chegada à cidade. O ambiente é descontraído e acolhedor, cheio de viajantes trocando histórias ao redor das mesas.


(Os detalhes gastronômicos ficam para o artigo “Sabores da Patagônia Argentina”.)
Dia 2 (24/04/2025) – Letreiro da entrada, Plaza de los Pioneros, El Chaltén e cassino à noite
No segundo dia, começamos cedo visitando o letreiro da entrada da cidade, outro símbolo de boas-vindas de El Calafate — especialmente bonito pela manhã, com as montanhas ao fundo e o céu límpido.




Em seguida, passamos pela Plaza de Los Pioneros, uma praça pequena e arborizada com esculturas que homenageiam os colonizadores da região. É um ótimo ponto para fotos e para sentir o ritmo tranquilo da cidade antes da estrada.


De lá, seguimos rumo a El Chaltén, a cerca de 215 km de El Calafate. A viagem, de aproximadamente 3 horas, é uma atração por si só: cruzamos o Parque Nacional Los Glaciares, Patrimônio Mundial da UNESCO, e cada curva revelava lagos azuis, montanhas nevadas e guanacos pastando calmamente à beira da estrada.
Dica:
- Distância: 215 km
- Tempo de viagem: ~3h (sem contar paradas fotográficas)
- Melhor horário: sair antes das 8h para aproveitar bem o dia
Em El Chaltén, fomos recebidos por ventos fortíssimos — a verdadeira marca da Patagônia. Visitamos a Senda Chorillo del Salto, uma trilha leve até uma cachoeira encantadora cercada por bosques, e aproveitamos o visual das montanhas que circundam o vilarejo, considerado a Capital Nacional do Trekking na Argentina.




De volta a El Calafate, à noite, fizemos uma parada no Cassino Club El Calafate, moderno e iluminado, com mesas de roleta e caça-níqueis piscando por todos os lados. O ambiente é leve, e até os pesos perdidos rendem boas risadas (e uma cerveja cortesia do garçom).




Dia 3 (25/04/2025) – O ponto alto: Glaciar Perito Moreno
O dia 25/04 foi reservado ao espetáculo maior da viagem: o Glaciar Perito Moreno.
Localizado dentro do Parque Nacional Los Glaciares, é um dos poucos glaciares do mundo que ainda avança — um verdadeiro monumento natural. São cerca de 5 km de largura, 60 metros de altura e um som inconfundível do gelo se partindo, ecoando por todo o vale.

Caminhar pelas passarelas de observação é uma experiência única: a cada ângulo, o azul do gelo muda de tom conforme a luz do sol. O vento gelado corta o rosto, mas o cenário é tão hipnótico que o frio parece detalhe.
Os detalhes de valores, horários e transporte estão em um artigo dedicado exclusivamente ao Perito Moreno, com dicas completas de visita.
Dia 4 (26/04/2025) – Parque urbano, passeio leve e despedida de El Calafate
No último dia, aproveitamos para conhecer o Parque Nacional Los Glaciares – Sede El Calafate, uma área de preservação dentro da própria cidade, com pequenas trilhas, mirantes e painéis educativos sobre a fauna e flora da região. É um passeio tranquilo e ideal para encerrar a viagem em ritmo leve.
















Depois seguimos caminhando pela Avenida Libertador, entre lojas de lã, chocolates e lembranças, aproveitando as últimas horas para compras e para se despedir da cidade que mistura natureza e acolhimento em doses perfeitas.
Conclusão: El Calafate é mais do que um ponto de passagem
Muita gente vê El Calafate apenas como “a base para visitar o Perito Moreno”, mas a cidade é muito mais do que isso. Ela tem vida própria, personalidade charmosa e um clima que mistura tranquilidade, natureza e aquele toque de aventura que só a Patagônia oferece.
Voltamos com o coração cheio, as pernas cansadas, o vento ainda nos ouvidos e a certeza de que El Calafate é o tipo de destino que faz a gente querer ficar só mais um dia… e mais um…
Ah, e se for ao cassino, por favor, ganhe por nós!












