Se existe um destino que justifica o título de “fim do mundo”, é Ushuaia, a cidade mais austral do planeta habitada de forma permanente. Fria, charmosa, rodeada por montanhas nevadas e com um jeitinho de “vilarejo elegante”, Ushuaia entrega paisagens de cair o queixo e um clima de aventura constante. E nossa jornada até lá começou de um jeito digno de filme de estrada…
Dia 1 (19/04/2025) – A chegada épica ao Fim do Mundo
Saímos de Punta Arenas, no Chile, em um ônibus que percorreu quase 12 horas de paisagens surreais — glaciares, lagos azul-turquesa e aquele tipo de silêncio que só a Patagônia consegue proporcionar.
A cereja do bolo é quando você cruza a fronteira e, depois de algumas curvas e montanhas, surge o Pórtico de Entrada de Ushuaia — um grande arco de madeira com telhado em duas águas, ladeado por bandeiras argentinas e o letreiro “Bienvenidos a Ushuaia – Fin del Mundo”. A sensação é real: você chegou ao fim da América do Sul, ou melhor, no fim do mundo!

Após o check-in na hospedagem, aproveitamos o fim da tarde para caminhar pela orla da cidade, observando o contraste entre o mar gelado, os barcos e as montanhas que cercam Ushuaia. A vista é tão bonita que qualquer caminhada vira passeio turístico.









À noite, partimos para conhecer o centro da cidade, explorando a movimentada Avenida San Martín, o coração comercial de Ushuaia. Lojas de roupas de frio, cafés aconchegantes, vitrines iluminadas e aquele clima de inverno mesmo fora de temporada.


A gastronomia local já mostrava seu potencial logo no primeiro jantar, mas deixaremos todos os detalhes para o artigo especial “Sabores da Patagônia Argentina”.
Dia 2 (20/04/2025) – Letreiros, Hard Rock e o parque à tarde
O dia começou com frio e céu limpo — perfeito para visitar os símbolos da cidade.
Fomos primeiro até a Placa do Fim do Mundo, na praça em frente ao porto, com o Canal de Beagle e as montanhas nevadas ao fundo. É impossível não se emocionar: esse é o cenário mais icônico de Ushuaia e um dos cartões-postais mais fotografados da Argentina.




Logo ao lado, registramos a clássica foto no letreiro “USHUAIA”, colorido e vibrante, com a bandeira argentina tremulando e o mar logo atrás.



O almoço foi em um dos pontos mais animados da cidade, o Hard Rock Café Ushuaia, com boa música e vista panorâmica do porto — mais uma experiência que mostra como Ushuaia mistura natureza e modernidade.
À tarde, seguimos para um parque nos arredores da cidade, cercado de verde, trilhas curtas e áreas abertas ideais para relaxar depois de um dia intenso de caminhadas e fotos. O frio, claro, acompanhava, mas já estávamos acostumados: em Ushuaia, o vento é quase um personagem à parte.











Dia 3 (21/04/2025) – O trem mais austral do planeta
O terceiro dia foi reservado a uma das experiências mais marcantes: o Trem do Fim do Mundo.
Antes de embarcar, vale mencionar a Estação Ferroviária Austral Fueguina, que fica cerca de 8 km do centro. Fomos até lá de carro — o trajeto é curto, mas já revela parte das paisagens que inspiraram tantas expedições.
Informações práticas:
- Primeira partida: por volta das 9h
- Última saída: cerca de 16h45
- Duração total: 1h40 (ida e volta, com paradas)
- Preço (abril/2025): aproximadamente AR$ 22.000 por pessoa (~US$ 25)
Cabines: para 4 ou 6 pessoas, aquecidas e confortáveis - Áudio-guia: disponível em vários idiomas, inclusive português







Durante o percurso, o trem serpenteia entre vales e florestas enquanto o áudio conta a história dos antigos prisioneiros de Ushuaia, que usavam a ferrovia há mais de um século para cortar lenha e transportar suprimentos à antiga penitenciária. Claro que fizemos a clássica foto com o prisioneiro! Rsrsr

É um passeio histórico e contemplativo, com paradas para fotos e vistas de tirar o fôlego.











De volta à cidade, o almoço foi dedicado à famosa centolla (caranguejo gigante), um dos ícones da culinária local. À noite, aproveitamos para caminhar novamente pela orla e pelo centro, curtindo o frio e o movimento tranquilo de Ushuaia iluminada.
Dia 4 (22/04/2025) – Parque Austral e a despedida do Fim do Mundo
Nosso último dia foi reservado ao Parque Austral, uma descoberta deliciosa e fora da rota tradicional.
Fomos até lá de táxi, já que o local fica um pouco afastado, e valeu cada minuto. O parque combina muito verde, trilhas curtas e um pequeno museu de motos antigas — verdadeiras relíquias restauradas que chamam atenção até de quem não é fã de duas rodas.





Outro destaque foi uma cachaçaria artesanal dentro do parque, onde provamos destilados locais com sabores típicos da região. O ambiente é rústico e acolhedor, perfeito para encerrar a viagem de forma leve.
O que deixamos para a próxima
Mesmo em quatro dias, Ushuaia tem muito mais a oferecer. Ficaram de fora:
• O passeio de barco pelo Canal de Beagle, que passa pelas ilhas com pinguins, leões-marinhos e o Farol Les Éclaireurs, o famoso “Farol do Fim do Mundo”.
• A navegação até a Isla Martillo, onde é possível caminhar entre pinguins (em temporada).
• As trilhas dentro do Parque Nacional Tierra del Fuego, com vistas espetaculares dos lagos e montanhas.
Mas sinceramente? Exploramos tanto a cidade, suas ruas e seus mirantes que não nos arrependemos. Ushuaia é o tipo de lugar que te conquista com o básico: o ar puro, as montanhas, o frio e o silêncio.
Conclusão: Ushuaia é uma viagem que muda o ritmo da alma
Voltamos com a sensação de que Ushuaia é mais do que um destino — é uma experiência sensorial. Cada esquina tem uma história, cada trilha uma vista, e cada noite gelada te lembra o privilégio de estar ali, no fim do mundo.












