Visitar o Glaciar Perito Moreno sempre pareceu uma daquelas experiências que a gente vê em documentários da BBC. Mas, no dia 25 de abril de 2025, lá estávamos nós, em carne, osso e casaco reforçado para segurar o frio Patagônico, dedicando nosso dia inteiro a esse gigante gelado.
Ficamos em El Calafate de 23 a 26/04, e embora a cidade tenha seu charme patagônico irresistível, foi mesmo o Perito Moreno que roubou a cena, o enredo e praticamente todo o meu estoque de adjetivos.
A chegada ao glaciar começa muito antes da entrada do parque: seguimos com nosso carro alugado (Hertz) por uma estrada tão bonita que parecia impossível não desacelerar só para admirar a paisagem — montanhas, lagos e aquele silêncio patagônico que já prepara o espírito para algo grandioso.
Se você ainda não viu nosso artigo sobre como se locomover na Patagônia Argentina, recomendo dar uma olhadinha depois — deixo aqui o link para facilitar: Nossa experiência alugando carro na Patagônia. Ali explicamos por que alugar carro na região é uma das melhores ideias desde a invenção da empanada. E, convenhamos, com agências cobrando entre 120 e 180 reais por pessoa para ir de ônibus ao Perito Moreno, se você estiver em um grupo de quatro, o carro não só é mais prático como também sai beeem mais em conta.
Mas voltemos ao caminho — ah, o caminho! A estrada é tranquila, bem conservada, e a vista? Um absurdo de linda. Montanhas que parecem ter sido esculpidas a mão, lagos azul-turquesa que desafiam a lógica, e aquela sensação de estar atravessando um mundo meio selvagem, meio mágico. É impossível não parar algumas vezes para tirar fotos, respirar o ar gelado e pensar: “por que eu não vim antes?”
Chegando ao Parque Nacional Los Glaciares, onde mora o ilustre Glaciar Perito Moreno, pagamos a entrada (valores variam com o tempo, mas espere algo em torno do padrão patagônico: salgado, mas vale cada centavo – pagamos cerca de ARS 45.000,00 ou aproximadamente R$ 175,00/pessoa).
O parque é muito organizado, com estrutura impecável e uma série de passarelas que permitem observar o glaciar de vários ângulos — cada um mais impressionante que o outro. Você caminha, vira a curva… e lá está ele: um paredão de gelo gigante, azul, vivo, respirando, estalando. Sim, estalando. O Perito Moreno fala. E fala alto.









A grandiosidade do glaciar emociona de verdade. Não é exagero: é um dos poucos glaciares do mundo que continua avançando, o que torna sua dinâmica ainda mais fascinante. Ele tem cerca de 250 km² (o equivalente à área da cidade de Belo Horizonte inteira) e um paredão com até 70 metros de altura sobre a água. E essa é só a parte que aparece — abaixo da superfície, o gelo mergulha por mais 170 metros. É como se fosse um prédio de 25 andares entrando lago adentro. E sim, eu conferi duas vezes esses números porque achei que estava lendo errado.










E aí veio o momento mágico: nós ouvimos o glaciar se quebrar. Primeiro, um estalo distante. Depois, um ronco grave. E então, o espetáculo: um bloco enorme de gelo se desprendendo e desabando no lago, levantando respingos e aplausos espontâneos de todo mundo à volta. É impossível não se arrepiar. Você se sente minúsculo, privilegiado e um pouco aventureiro — como se tivesse testemunhado um segredo da natureza.











Outra atração muito popular é o passeio de barco, que chega bem pertinho do paredão. Nós não fizemos desta vez, mas quem já foi garante que é incrível e rende fotos épicas (aquela que você posta e todo mundo comenta “onde é isso?”). Mesmo sem o barco, só as passarelas já garantem horas de caminhada tranquila, vistas panorâmicas e, claro, centenas de imagens para entupir o rolo da câmera.

Voltamos para El Calafate no fim do dia com aquela sensação gostosa de ter vivido algo raro. A luz do entardecer batendo nas montanhas, a estrada silenciosa e um glaciar gigante ficando para trás como se estivesse dizendo: “voltem logo”. E, sinceramente, acho que iremos.
Se eu pudesse resumir a experiência? O Perito Moreno não é “mais um ponto turístico”. Ele é o ponto forte da viagem, aquele que faz você repensar o significado de grandiosidade. Um lembrete de que o mundo é enorme, imprevisível e absolutamente maravilhoso. E que, às vezes, um bloco de gelo de 70 metros pode emocionar mais do que se possa imaginar!
Se você está planejando uma viagem à Patagônia, coloque o Perito Moreno no topo da lista — e pode confiar, você vai voltar transformado (e com o celular cheio de fotos azuis).












