Viajar pela Patagônia é uma experiência que envolve muito mais do que paisagens de cinema, geleiras e vento cortante — é também uma jornada gastronômica inesquecível. Cada refeição vira um capítulo à parte, uma história contada por aromas, taças de vinho e pratos fumegantes.
De Ushuaia a El Calafate, prepare-se para provar o melhor do “fim do mundo”, com muito sabor, risadas e, claro, algumas calorias a mais como lembrança.
Ushuaia — O fim do mundo e o começo de um banquete
Nosso primeiro jantar em Ushuaia foi na Taberna del Viero Marino, um lugar acolhedor e cheio de personalidade. O ambiente lembra as tabernas de porto, com decoração em madeira, mapas náuticos e o barulho do vento do Canal de Beagle batendo do lado de fora. O cardápio é variado, com destaque para frutos do mar frescos — merluza negra, camarões e vieiras — além de massas e boas opções de vinhos. Neste dia optamos pelo famoso bifão mesmo pois ainda íamos nos aventurar com a centolla. O atendimento é simpático e o clima, bem informal, daqueles que te fazem querer ficar mais tempo. A comida é saborosa, as porções generosas e o preço justo para o local porém tudo, tudo mesmo no Ushuaia é caro, considerando a localização mais austral do planeta. Foi uma forma deliciosa de inaugurar nossa jornada gastronômica na Patagônia. O Jantar custou para 4 pessoas o valor de U$$ 187,37.




No dia seguinte, fomos almoçar no famoso El Viejo Marino, um restaurante simples, quase uma cantina de pescadores, que é uma verdadeira instituição em Ushuaia. Localizado na Avenida Maipú, bem em frente ao porto, o lugar costuma ter fila na porta — e com razão. É lá que, teoricamente, se prova a lendária centolla, o caranguejo gigante das águas geladas do sul argentino. Mas no nosso caso… o gigante resolveu tirar férias! A tão falada centolla estava em falta, e o que encontramos foi o centollón, o “primo” mais modesto — praticamente a versão econômica da centolla, ou, como brincamos na mesa, a “centolla falsa”. O ambiente é despretensioso, com mesas de madeira e cheiro de mar no ar, mas o sabor continua de restaurante cinco estrelas. O almoço custou, para quatro pessoas, o valor de U$$ 107,36. É o tipo de lugar que não se vai pelo luxo, e sim pela experiência — e que experiência!



Fizemos uma rápida parada no charmoso Jeremy Button Gin Bar, um lugar que combina o clima de bar moderno com um toque de elegância retrô. Foi uma visita breve, apenas o tempo suficiente para brindar com uma clássica gin tônica e curtir o ambiente acolhedor, cheio de estilo e boa música. Um ótimo momento para relaxar, colocar a conversa em dia e se preparar para o jantar que viria na sequência. Lá, pedimos duas gin tônicas e uma Coca Zero, e a conta ficou em torno de U$ 25,37.

Outra ótima surpresa foi o Kuar, um restaurante pequeno, de ambiente intimista e atendimento impecável. Aqui a experiência é mais calma, perfeita para quem quer um jantar tranquilo, acompanhado de um bom vinho argentino. O cardápio traz carnes, massas e peixes preparados com cuidado e apresentação bonita. É aquele tipo de lugar que te faz esquecer o tempo, conversar com calma e sair satisfeito — na medida certa. Neste restaurante fomos duas vezes e pagamos U$$ 160,31 (com um pouco mais de extravagância, vinhos e pratos individuais) e U$$ 89,44 compartilhando pratos.




Entre uma refeição e outra, aproveitamos para conhecer o Hard Rock Café Ushuaia, uma parada divertida para quem quer sair um pouco do circuito dos frutos do mar. O ambiente é o clássico da marca: decoração temática, trilha sonora de rock e porções fartas. Os hambúrgueres são grandes, a batata é crocante e o chopp local ajuda a aquecer o corpo depois de um dia de passeio. É uma boa pedida para quem quer relaxar e comer algo mais “mundano” no meio de tanto exotismo patagônico. O almoço custou, para quatro pessoas, o valor de U$$ 185,76.







O Bodegón Fueguino foi outro destaque. Um dos restaurantes mais tradicionais da cidade, ele é conhecido por oferecer pratos típicos da cozinha patagônica com sabor caseiro e porções generosas. O cordeiro é uma das estrelas do menu, acompanhado de purês e legumes salteados. A decoração é simples, mas acolhedora, e o preço é justo para a qualidade. É o tipo de lugar em que dá vontade de voltar no dia seguinte. E o valor da refeição foi de U$$ 82,14 para nós quatro.



Encerramos o circuito gastronômico de Ushuaia no Moustacchio, uma casa muito simpática e familiar, onde as massas frescas são a grande atração. As milanesas também são famosas por lá, e o ambiente é descontraído, ótimo para um jantar leve e bem servido. O atendimento é atencioso e a sensação é de estar jantando na casa de um amigo. Pagamos para 4 pessoas o valor de U$$ 112,39.



Pela manhã, o café na Cafetería Martínez virou ritual: medialunas douradas, café encorpado e ambiente moderno, com aquele ar de cidade pequena mas cosmopolita ao mesmo tempo. Ideal para se aquecer antes das aventuras do dia. Pagamos o valor de U$$ 40,39 para o grupo.


E para adoçar a viagem, fizemos questão de parar na Heladería Freddo, uma das mais conhecidas da avenida principal de Ushuaia. O contraste de tomar sorvete artesanal sob temperaturas negativas é impagável. Os sabores são incríveis — calafate, doce de leite, framboesa — e a textura cremosa é digna de gelateria italiana. Vale destacar que sorvete médio sai em média por U$$ 4,48. Um doce encerramento para os dias no “fim do mundo”.
El Calafate — Do frio das geleiras ao calor do forno
De Ushuaia, partimos para El Calafate, e logo na chegada percebemos que o frio não é desculpa para não comer bem. A cidade tem uma atmosfera charmosa e acolhedora, e cada refeição foi uma descoberta.
O dia começava na Panadería y Confitería Don Luis, um verdadeiro templo do café da manhã. As vitrines cheias de doces são uma tentação: medialunas douradas, tortas com frutas vermelhas, sanduíches de presunto e queijo, empanadas e os famosos “postres” argentinos que parecem feitos sob medida para acompanhar o café. O ambiente é movimentado, alegre e convidativo — perfeito para abastecer as energias antes de enfrentar os ventos da Patagônia. A conta, para quatro pessoas, ficou em U$ 23,70.
Para o jantar, experimentamos a Big Pizza, uma pizzaria descontraída e muito popular entre os turistas. Começamos pelas tradicionais empanadas argentinas — crocantes por fora e recheadas com carne cortada na faca, queijo e temperos na medida. As pizzas seguem o estilo argentino, com massa mais grossa e muito queijo, e vêm acompanhadas de cervejas locais. É o tipo de lugar ideal para fechar o dia comendo bem e sem pressa. A conta, para quatro pessoas, ficou em U$ 68,70.

O almoço foi no Don César, um restaurante com ar familiar e cardápio que homenageia a gastronomia patagônica. O cordeiro, novamente, roubou a cena — macio, suculento e muito bem temperado. O atendimento é acolhedor e o ambiente, tranquilo, com janelas que deixam entrar a luz fria da cidade. Um almoço perfeito para recuperar as energias. A conta, para quatro pessoas, ficou em U$ 137,70.

À noite, fomos ao La Toldería, um dos restaurantes mais interessantes de El Calafate. O ambiente é aconchegante e ideal para encerrar o dia, com clima descontraído e atendimento simpático. Lá, aproveitamos para experimentar um um bom vinho e dividir uma pizza deliciosa — combinação perfeita para o frio da Patagônia. A conta, para quatro pessoas, ficou em U$ 87,70.

No dia seguinte, o almoço foi no Nina Passion & Sabores, uma combinação de restaurante moderno e bistrô sofisticado, com motos antigas, quadros vintage, letreiros de neon e um charmoso clima de bar retrô, com música ambiente e iluminação suave. Os pratos são lindamente apresentados, com ingredientes frescos e combinações criativas. O ambiente é tranquilo e o atendimento, atencioso — ideal para quem busca uma experiência gastronômica mais refinada, sem exageros. A conta, para quatro pessoas, ficou em U$ 152,50.

À noite, encerramos com o animado La Lechuza, que se tornou um dos nossos favoritos. O restaurante é alegre, sempre cheio e com um cardápio que agrada a todos — pizzas, massas, carnes e cervejas artesanais. O clima é leve, o serviço é rápido e a comida, deliciosa. Um ótimo encerramento para a estadia em El Calafate. Pagamos para 4 pessoas o valor de U$$ 102,50.
Antes de encerrar o dia, eu e a Ágatha fizemos uma parada estratégica na Cervejaria Patagonia, que fica logo na avenida principal de El Calafate. Enquanto o Juliano e o Ronaldo resolviam o assunto do aluguel do carro, nós aproveitamos o tempo da melhor forma possível: saboreando uma bela cerveja Patagonia, tirada na hora, na cervejaria mais famosa da cidade. Foram duas canecas de 500 ml, geladas e perfeitas para o clima patagônico — e a conta ficou na média de U$ 17. Um brinde ao frio, à boa companhia e à despedida saborosa de El Calafate!


E para fechar nossa passagem por El Calafate com chave de ouro, fomos ao La Lechuzita — o último restaurante da viagem e uma surpresa deliciosa. Lá pedimos o tradicional bife argentino, uma saborosa carne de panela com molho e, claro, brindamos com uma cerveja Patagônia, afinal, nada mais justo do que saborear uma Patagônia em plena Patagônia Argentina! O jantar, para quatro pessoas, saiu por U$ 107,05. Um encerramento simples, saboroso e perfeito para fechar o roteiro gastronômico com aquele gostinho de “quero mais”.


Conclusão — Entre o frio e o fogo dos sabores
Entre glaciares e garfadas, Ushuaia e El Calafate nos mostraram que a Patagônia é tão rica em sabores quanto em paisagens. De uma taverna de pescadores à confeitaria charmosa, de uma centolla gigante a uma bola de sorvete embaixo de neve, tudo ali parece feito para ser lembrado. É uma viagem que alimenta a alma, aquece o corpo e desperta o apetite de quem ama descobrir o mundo através da comida.
Se o “fim do mundo” tem gosto, posso garantir: ele é delicioso.












