Nossa aventura pela Romênia começou em Veneza… ou melhor, em Treviso, já que é dali que partem os voos da Ryanair, aquela companhia aérea super low-cost que cobra absolutamente tudo e vende ainda mais coisas dentro do avião: desde sanduíches a perfumes e até bilhetes de loteria. Foi nesse clima de “feirinha voadora” que embarcamos no dia 28/12/2024 rumo a Bucareste, chegando já à noite, tarde demais para aproveitar a cidade naquele dia.
Nosso lar temporário foi um Airbnb que se mostrou uma escolha perfeita: muito bem localizado, barato se comparado aos hotéis da região e com uma decoração tipicamente romena, como se estivéssemos em um cenário de novela histórica, inclusive fizemos um artigo dedicado sobre a nossa hospedagem e que você pode conferir neste link. Sobre o translado ao aeroporto, vou pular essa parte porque já temos um artigo inteiro dedicado ao “presente de grego” que recebemos de um taxista trapaceiro… fica para outra leitura.
Dia 29/12 – Primeiros passos em Bucareste
Nosso primeiro dia inteiro em Bucareste foi recheado de descobertas. O Teatro Nacional impressiona logo de cara, com sua fachada moderna e sempre cheio de movimento. Em seguida, caminhamos até o Palácio do Parlamento, um gigante que domina o horizonte e é impossível ignorar. Mesmo de fora, já dá aquela sensação de estar diante de algo monumental.




Seguimos para a Piața Revoluției, palco de acontecimentos marcantes de 1989, mas hoje um lugar tranquilo para passear. A Piața Universității também estava cheia de vida, cercada por cafés e o vai e vem típico de uma grande capital.

O Ateneu Romeno (Ateneul Român) e, mesmo sem entrar, já achei a visita válida. Fiquei só do lado de fora, admirando a fachada circular com colunas, a cúpula e os jardins que rendem fotos bonitas. De lá, caminhei poucos minutos até a Praça da Revolução (Piața Revoluției) para ver o Memorial do Renascimento (Memorialul Renașterii) — o tal “obelisco com um coração atravessado” (que os locais apelidam de batata no palito). Além de curioso para fotografar, o monumento ajuda a entender a história da Revolução de 1989 e dá um contexto forte para a região.


Depois segui para o Parcul Cișmigiu, meu respiro verde em Bucareste. Andei por alamedas sombreadas, passei pelos canteiros floridos e pelo lago com pedalinhos, e fiz uma pausa para um café no quiosque. É aquele lugar para desacelerar e observar a vida local acontecendo — famílias, casais, senhores jogando xadrez — antes de voltar ao roteiro. Dá para combinar tudo num mesmo passeio a pé e, se possível, recomendo ir no fim da tarde: a luz fica linda para fotos.

Dia 30/12 – Rumo aos castelos da Transilvânia
Esse foi o dia reservado para o tour pela Transilvânia, que compramos pelo GetYourGuide. Pagamos 84 euros para três pessoas e, apesar das 12 horas de passeio, cada minuto valeu a pena. Saímos às 07h de um ponto bem próximo ao nosso Airbnb, em um ônibus confortável, com guia em inglês e muita disposição.
A primeira parada foi o Castelo de Peleș, que estava parcialmente em reforma. Mesmo assim, é impossível não se encantar com a construção em meio às montanhas cobertas de neve. O complexo tem uma boa infraestrutura, com cafés aconchegantes, onde aproveitamos para experimentar quitutes romenos antes de seguir viagem.






Na sequência, chegamos ao tão esperado Castelo de Bran, mundialmente conhecido como o “Castelo do Drácula”. Essa fama se deve ao fato de Bram Stoker ter se inspirado nele para ambientar sua obra, embora a relação com Vlad, o Empalador, seja mais lenda que fato. Por fora, o castelo é imponente e misterioso, erguido sobre uma colina com torres pontiagudas que parecem vigiar o vale.





Por dentro, a visita é ainda mais interessante: corredores estreitos, escadas em espiral, salões com móveis de época, armas e armaduras que parecem contar histórias por si só. Há também salas dedicadas às lendas de Drácula e exposições sobre a vida medieval.












Caminhar por ali, em pleno inverno com neve do lado de fora, foi quase como entrar em um cenário de filme. Na saída, uma feirinha típica animava ainda mais o ambiente, com comidas de dar água na boca e lembrancinhas da Transilvânia.






Por fim, chegamos a Brașov, que foi uma surpresa maravilhosa. O centro histórico é encantador, com ruas de paralelepípedo, cafés charmosos e uma atmosfera que mistura tranquilidade com festa. Como era fim de ano, a cidade estava tomada por feirinhas natalinas, com barracas de comidas típicas, como salsichas defumadas, doces regionais e até vinho quente, perfeito para aquecer as mãos e a alma. Além da comida, as barraquinhas também vendiam artesanato e lembrancinhas que refletem a cultura local. Tivemos ainda a sorte de assistir a um desfile folclórico em que pessoas desfilavam vestidas de ursos, uma tradição romena de fim de ano para espantar maus espíritos. Foi divertido, curioso e inesquecível.




Dia 31/12 – Centro histórico e despedida
No último dia do ano, ficamos em Bucareste explorando o centro histórico sem pressa. Caminhamos por ruas de paralelepípedo, observando fachadas antigas, pátios escondidos e detalhes que contam a história da cidade. O ponto alto foi a Biserica Stavropoleos, pequena e belíssima, com entalhes e afrescos que pedem silêncio e contemplação.






Seguimos vagando entre cafés e vitrines, apreciando a mistura de estilos arquitetônicos que aparece a cada quarteirão. Encerramos diante do imponente Banco Nacional da Romênia, cuja elegância reforça a atmosfera clássica do centro — um fechamento perfeito para um dia dedicado a simplesmente olhar, sentir e registrar a capital romena.

A noite de réveillon foi simples, mas especial: ficamos no nosso Airbnb, com tira-gostos comprados no Carrefour e um bom vinho romeno para brindar. Do lado de fora, os fogos iluminavam o céu, mas preferimos o conforto de uma virada tranquila, guardando energia para o novo ano.
Conclusão
Foram 3 dias intensos na Romênia, divididos entre Bucareste a Transilvânia. Vimos palácios grandiosos, castelos cercados de lendas, cidades cheias de charme e tradições únicas, como o desfile dos ursos. Entre feirinhas natalinas, vinhos romenos e até um Airbnb aconchegante, a viagem mostrou que a Romênia vai muito além do imaginado e guarda experiências que ficam para sempre na memória.












